domingo, 28 de novembro de 2010

Isto não é um post sobre arte

Não é um cachimbo mesmo! Duvida? Tente fumá-lo.


Na obra Ceci n'est pas une pipe (1928-29) do pintor surrealista René Magritte (1898-1967) tem-se um dos primeiros exemplos de arte conceitual, no sentido de uma obra que apresenta uma discussão metalingüística que se impõe à leitura da obra. É uma antecipação às questões tratadas somente no fim dos anos 60 (já enquanto movimento teoricamente organizado), que tem na obra One and Three Chairs (1965), do artista Joseph Kosuth (1945), seu emblema. Assim como na obra de Kosuth, que questiona o estatuto de realidade da cadeira (em uma referência clara ao conceito platônico de mundo das idéias), Magritte já discute pintura como linguagem, instância esta da representação. Diferente da “janela para o mundo” filosofada no Renascimento, Magritte defende uma pintura que se assume em sua natureza de simulacro. Ao afirmar em signos verbais uma sentença que deslegitima a informação contida no signo visual, Magritte desmonta a ilusão mimética que durante séculos regeu as pesquisas pictóricas na arte ocidental. Há um cachimbo, representado na tela, mas o texto nos diz para não acreditarmos em nossos olhos, simplesmente porque o que se apresenta não é um cachimbo enquanto objeto físico, mas como representação pictórica. É, pois, uma pintura e nada mais.

A cadeira enquanto representação, objeto físico e conceito. Em um recurso tautológico, Kosuth traz a discussão platônica de onde se localiza a essência das coisas do mundo. Para o filósofo grego, a cadeira (como todas as coisas sobre a Terra) seria apenas uma forma replicada de sua matriz ideal, intangível e, portanto, real, pois, imune as ações do mundo sensível. Em Kosuth vemos, justamente, este jogo de relações no qual (de acordo com o direcionamento platônico), a cadeira é mais real enquanto ideia (definição enciclopédica) do que  enquanto imagem ou objeto.


Porém, este pequeno texto introdutório só serve para que eu apresente a vocês uma imagem que achei na web, que tem como base a obra de Magritte. Trata-se de uma obra do artista gráfico Evan Shaner. A partir da referência artística ele amalgama o super-herói Homem-Borracha (que tem como característica a capacidade de se moldar em qualquer forma que conceber) ao cachimbo “magritteano”. Muito bacana! Quero uma camisa assim. Clique na imagem para ser direcionado ao blog do desenhista. Vale a pena perder uma tarde vasculhando seu excelente banco de imagens.


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